Nova York, 23 de novembro de 1887
Quatro negócios quebrados e uma fotografia de 1941.
Michael Eitor tem trinta e cinco anos e uma sequência de fracassos nas costas: uma distribuidora, duas franquias e um bar, todos quebrados. Sem dinheiro, sem carro e sem nenhuma perspectiva, ele passa os dias deitado num apartamento vazio, rolando o celular sem procurar nada.
Michael Eitor tinha uma distribuidora, duas franquias e um bar, todos quebrados, e para cada um uma explicação que ninguém quer mais ouvir. Gastou o que restava montando uma máquina no chão da própria sala e apertou o botão sem saber se funcionava. Nem para onde ia.
Acordou em Nova York, em 23 de novembro de 1887, com um celular no bolso.
O aparelho ainda liga, sem sinal e sem internet. Ele não sabe 1887 de cor. Pode perguntar. Cada pergunta consome uma bateria que, naquela cidade, não tem onde recarregar.
O plano é simples: não quebrar de novo. Chegar na frente.
O problema é que ninguém em 1887 sabe quem ele é. Numa sala cheia de homens que vão entrar para a história, ele é o único que pode perguntar como aquilo termina, e o único que não tem nome nem um centavo.
A vantagem cabe no bolso. Resta saber se dá tempo de usar.
De um baile dos Vanderbilt a uma sala em cima de um depósito de café, onde Nikola Tesla trabalha sozinho, até a fábrica de Audrey Brannock, que perde tudo se casar, Michael tenta construir um império a partir de um parafuso.
A vantagem cabe no bolso. Resta saber se dá tempo de usar.
O coração do livro
Michael Eitor não é real. O inverno de 1887 é.
Todos os personagens históricos que atravessam a narrativa são reais, assim como os fatos, as datas e as disputas que os cercam. Vanderbilt, Edison, Tesla, Westinghouse, J. P. Morgan e o rei do tabaco Buck Duke estavam todos vivos, em Nova York, no inverno de 1887. E é entre eles que Michael Eitor vai tentar construir um império a partir de um parafuso.
Só que, no fim, ele vai descobrir uma coisa tarde demais.
