Nova York, final da década de 1880
Tudo começou com um homem que já havia vencido.
Thomas Edison era o inventor mais famoso dos Estados Unidos. Seu sistema de corrente contínua já iluminava parte de Nova York, seus investidores haviam colocado fortunas na rede e seu nome era praticamente sinônimo de eletricidade.
Mas havia um problema. A corrente contínua funcionava bem perto das usinas, porém perdia força ao percorrer grandes distâncias. Para iluminar uma cidade inteira, Edison precisaria construir muitas estações geradoras, próximas umas das outras, e encher as ruas de cabos de cobre. Era um sistema que funcionava, mas difícil e caro de expandir.
George Westinghouse defendia outra solução: a corrente alternada. Com transformadores, sua tensão podia ser elevada para viajar por longas distâncias com menos perdas e reduzida novamente antes de entrar nas casas. Uma única usina poderia atender uma área muito maior. Se esse sistema fosse adotado, a rede que Edison já havia construído poderia se tornar ultrapassada.
A disputa, portanto, não era apenas sobre qual corrente funcionava melhor. Edison defendia usinas, patentes, contratos e o dinheiro que já estava investido. Westinghouse disputava o direito de construir o sistema que ainda não existia. Quem vencesse definiria o padrão elétrico das cidades e cobraria por ele durante décadas.
Edison controlava o presente. Westinghouse apostava que o futuro exigiria ir mais longe.
O homem que faltava
A corrente alternada ainda precisava de um sistema completo para alimentar máquinas e indústrias. Foi então que as ideias de um engenheiro sérvio quase desconhecido mudaram o equilíbrio. Nikola Tesla havia criado um motor e um sistema polifásico capazes de transformar a corrente alternada numa solução para muito mais do que iluminar lâmpadas.
Em 1888, Westinghouse adquiriu os direitos sobre as patentes de Tesla. A partir daquele momento, a guerra ganhou seus lados definitivos: Edison, com sua reputação e sua rede de corrente contínua, contra Westinghouse, com seu capital industrial e as invenções de Tesla para a corrente alternada.
Quando a tecnologia virou medo
Um engenheiro chamado Harold Brown se apresentou como cruzado contra a corrente alternada e passou a matar animais em demonstrações públicas, para gravar na cabeça de todos que aquilo mata. Edison o recebeu no laboratório de West Orange, incentivou-o a levar a campanha a público e abriu a estrutura da casa para os experimentos. Quando Nova York decidiu substituir a forca pela eletricidade, foi Brown quem comprou, por vias indiretas, os geradores da primeira cadeira elétrica: geradores Westinghouse, de corrente alternada.
Westinghouse respondeu apostando na escala. Em 1893, seu sistema iluminou a Exposição Mundial de Chicago diante de vinte e sete milhões de pessoas. Três anos depois, na madrugada de 16 de novembro de 1896, a energia das cataratas do Niágara acendeu Buffalo, a mais de quarenta quilômetros de distância.
O resultado
A corrente alternada venceu a batalha da escala.
Ela se tornou a base das redes elétricas modernas. Edison não desapareceu, e a corrente contínua continuou útil em muitas aplicações. Mas o mundo ligado por grandes usinas e longas linhas de transmissão escolheu o sistema defendido por Westinghouse e transformado pelas invenções de Tesla.

