EITOR 1887 Voltar ao universo

A Guerra das Correntes

A guerra que decidiu
como o mundo seria aceso.

Não foi uma batalha com exércitos. Foi uma disputa entre homens, fortunas e duas maneiras incompatíveis de levar eletricidade às cidades.

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Nova York, final da década de 1880

Tudo começou com um homem que já havia vencido.

Thomas Edison era o inventor mais famoso dos Estados Unidos. Seu sistema de corrente contínua já iluminava parte de Nova York, seus investidores haviam colocado fortunas na rede e seu nome era praticamente sinônimo de eletricidade.

Mas havia um problema. A corrente contínua funcionava bem perto das usinas, porém perdia força ao percorrer grandes distâncias. Para iluminar uma cidade inteira, Edison precisaria construir muitas estações geradoras, próximas umas das outras, e encher as ruas de cabos de cobre. Era um sistema que funcionava, mas difícil e caro de expandir.

George Westinghouse defendia outra solução: a corrente alternada. Com transformadores, sua tensão podia ser elevada para viajar por longas distâncias com menos perdas e reduzida novamente antes de entrar nas casas. Uma única usina poderia atender uma área muito maior. Se esse sistema fosse adotado, a rede que Edison já havia construído poderia se tornar ultrapassada.

A disputa, portanto, não era apenas sobre qual corrente funcionava melhor. Edison defendia usinas, patentes, contratos e o dinheiro que já estava investido. Westinghouse disputava o direito de construir o sistema que ainda não existia. Quem vencesse definiria o padrão elétrico das cidades e cobraria por ele durante décadas.

Edison controlava o presente. Westinghouse apostava que o futuro exigiria ir mais longe.

O homem que faltava

A corrente alternada ainda precisava de um sistema completo para alimentar máquinas e indústrias. Foi então que as ideias de um engenheiro sérvio quase desconhecido mudaram o equilíbrio. Nikola Tesla havia criado um motor e um sistema polifásico capazes de transformar a corrente alternada numa solução para muito mais do que iluminar lâmpadas.

Em 1888, Westinghouse adquiriu os direitos sobre as patentes de Tesla. A partir daquele momento, a guerra ganhou seus lados definitivos: Edison, com sua reputação e sua rede de corrente contínua, contra Westinghouse, com seu capital industrial e as invenções de Tesla para a corrente alternada.

Quando a tecnologia virou medo

Um engenheiro chamado Harold Brown se apresentou como cruzado contra a corrente alternada e passou a matar animais em demonstrações públicas, para gravar na cabeça de todos que aquilo mata. Edison o recebeu no laboratório de West Orange, incentivou-o a levar a campanha a público e abriu a estrutura da casa para os experimentos. Quando Nova York decidiu substituir a forca pela eletricidade, foi Brown quem comprou, por vias indiretas, os geradores da primeira cadeira elétrica: geradores Westinghouse, de corrente alternada.

Westinghouse respondeu apostando na escala. Em 1893, seu sistema iluminou a Exposição Mundial de Chicago diante de vinte e sete milhões de pessoas. Três anos depois, na madrugada de 16 de novembro de 1896, a energia das cataratas do Niágara acendeu Buffalo, a mais de quarenta quilômetros de distância.

O resultado

A corrente alternada venceu a batalha da escala.

Ela se tornou a base das redes elétricas modernas. Edison não desapareceu, e a corrente contínua continuou útil em muitas aplicações. Mas o mundo ligado por grandes usinas e longas linhas de transmissão escolheu o sistema defendido por Westinghouse e transformado pelas invenções de Tesla.

Michael Eitor

E onde entra Michael Eitor

Ele tem o desfecho.

Michael não é engenheiro. Não sabe desenhar um motor, não sabe calcular uma bobina, não tem uma única ideia técnica para oferecer a ninguém.

O que ele tem é o desfecho.

Ele chega a Nova York em novembro de 1887, no ano em que essa disputa se aproxima da virada, sabendo qual das duas correntes vai vencer, qual delas está na parede da casa dele em 2026, quem vai perder a própria empresa e quem vai morrer sem receber. Sabe em que ano. E sabe por quê.

É aí que mora o problema.

Saber o final não diz o que fazer com ele. Em 1887, ninguém conhece Michael Eitor: ele não tem sobrenome que abra porta, não tem crédito em banco, não tem uma linha de história neste mundo. Uma certeza absoluta na boca de um homem sem reputação não vale nada. Vale menos que nada, porque soa a loucura.

E há o peso do outro lado. Cada palavra dita na hora errada, para o homem errado, empurra alguma peça do tabuleiro. Michael conhece o caminho que a História tomou. O que ele não sabe é o que acontece se esse caminho mudar. Inclusive com ele.

EITOR 1887

Ele não precisa inventar o futuro.
Precisa convencer o mundo a escolhê-lo.